Opções
Uma opção de um ativo adjacente será ou o direito de comprar o ativo (opção de compra) ou o direito de vender o ativo (opção de venda) a um determinado preço e dentro de um determinado período de tempo no futuro.
O fator principal aqui é que o titular (comprador-proprietário) da opção tem um direito, e não uma obrigação. Se o titular de uma opção não exerce este direito antes do fim do período de tempo pré-determinado, a opção e a oportunidade (direito) de exercê-la deixam de existir.
O lançador (vendedor) de uma opção, entretanto, é obrigado a preencher os requerimentos da opção se a opção for exercida. No caso de uma opção de compra de uma ação (call), o lançador (vendedor) vendeu o direito de comprar aquela ação por um preço específico. O lançador da opção de compra é portanto obrigado a vender a ação ao titular da opção de compra (comprador) se a opção for exercida, e pelo preço pré-determinado.
No caso de uma opção de venda de uma ação (put), o lançador vendeu o direito de vender aquela ação. O lançador da opção de venda da ação é portanto obrigado a comprar a ação do titular da opção de venda (comprador) se a opção for exercida, e pelo preço pré-determinado.
Preço de Exercício e Data de Exercício
O preço pré-determinado de uma opção é conhecido como o preço de exercício. Quando uma opção de compra é exercida, o proprietário (comprador) paga pela ação o preço de exercício. Quando uma opção de venda é exercida, o proprietário (vendedor) recebe pelas ações o preço de exercício.
A data após a qual a opção deixa de existir corresponde a data de exercício.
Exemplo: A opçao de compra de TNLP4 AGO 40 representa o direito de comprar TNLP4 a 40 reais até o data de exercício que ocorrerá em agosto. (obs: usualmente utiliza-se no IBOV uma outra forma de representar opção. A TNLP4 AGO 40 é representada como TNLPH40, onde H representa agosto).
Regras de Expiração (ou término da validade da opção)
Os investidores devem estar cientes das regras em relação a expiração das opções e seu possível exercício ou não. Em primeiro lugar, além das regras gerais do IBOV, as diferentes corretoras tem suas próprias regras. Informe-se com suas corretora das regras internas da mesma em relação as opções.
Os investidores também devem estar cientes das regras de exercício automático. Em alguns locais, uma opção de compra que, no dia do exercício, esteja abaixo do preço da ação adjacente, poderá ser exercida automaticamente. Cabe ao investidor avisar que não deseja exercer, ainda que isso seja benéfico para ele. Mas a maioria das corretoras no Brasil, não realizam exercício automático. Faça o raciocínio inverso para a opção de venda.
Muitas corretoras determinam um horário final, próximo ao exercício, em que o proprietário de opções possa dizer o que deseja que seja feito.
Aos que forem negociar opções de outros ativos que não ações, é importante se informar com sua corretora e no Bovespa, sobre as específicas regras daquele tipo de opção, pois estas regras podem mudar de um tipo de ativo para outro.
Tipo de Opções
- Opções Americanas - Uma opção do tipo americana possui um direito que pode ser exercido a um determinado preço a qualquer momento até a data de exercício.
- Opções Européias - Uma opção do tipo européia possui um direito que poderá ser exercido somente na data de exercício.
Atualmente todas as opções de venda negociadas na Bovespa são européias. Já entre as opções de compra, as opções americanas são tão comuns quanto as européias.
Preço e Preço de Exercício
A relação do preço do ativo com o preço da opção determina se a opção é dita como In-The-Money (dentro do dinheiro); At-The-Money (no dinheiro), ou Out-of-The-Money (fora do dinheiro).
- Opção de Compra In-The-Money (ITM): Preço do ativo subjacente é superior ao preço de exercício da opção;
- Opção de Compra At-The-Money (ATM): Preço do ativo subjacente é igual ao preço de exercício da opção;
- Opção de Compra Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é inferior ao preço de exercício da opção.
- Opção de Venda In-The-Money (ITM): Preço do ativo adjacente é inferior ao preço de exercício da opção;
- Opção de Venda At-The-Money (ATM): Preço do ativo adjacente é igual ao preço de exercício da opção;
- Opção de Venda Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é superior ao preço de exercício da opção.
Valor Intrínseco e Valor do Tempo (Theta)
O preço de uma opção (prêmio) pode consistir de valor intrínseco, valor do tempo ou valor extrínseco (theta), ou uma combinação de ambos.
- Valor Intrínseco: - Porção in-the-money (dentro do dinheiro) do valor (prêmio) de uma opção. Ex: A opção de compra de TNLPH40 (opçao de compra de Telemar PN para agosto, com preço de exercício de 40 reais) possui 2 reais de valor intrínseco se a TNLP4 estiver cotada a R$42,00.
- Valor do Tempo (Theta): - Porção do preço de uma opção (prêmio) que está além do valor intrínseco. Também é conhecido como valor extrínseco ou valor de expectativa. Ex: Se a mesma opção do exemplo acima, estando a TNLP4 cotada a 42,00, estiver valendo R$3,00 significa que além dos dois reais de valor intrínseco, soma-se um real de valor do tempo ou Theta.
- Observação: Os conceitos e exemplo acima são para opções de compra. Faça o raciocínio inverso para opção de venda. Isto é, a opção de venda estará in-the-money quando a cotação do ativo adjacente estiver abaixo do preço de exercício da opção de venda.
Paridade
Uma opção está sendo negociada em paridade com a ação quando ela está in-the-money e não possui nenhum valor do tempo (Theta).
Esta situação ocorre quando o preço da ação adjacente menos o preço de exercício é igual ao valor da opção (prêmio).
- Exemplo: Se a opção de compra de TNLPH40 (opçao de compra de Telemar PN para agosto, com preço de exercício de 40 reais) estiver sendo negociada a 2 reais quando a TNLP4(Telemar PN) estiver sendo negociada a R$42,00, se diz que a TNLPH40 está sendo negociada em paridade com a Telemar. Neste caso, a opção possui apenas valor intrínseco e nenhum valor do tempo (Theta).
Isto ocorre muitas vezes com as opções que estão profundamente in-the-money nos dias próximos ao exercício.
Os 6 fatores que influenciam no preço das opções
Para quem opera a algum tempo no mercado de derivativos já deve ter descoberto estes fatores na prática. Você que ainda está começando já iniciará com um passo a frente, impedindo assim você faça algumas bobagens de iniciante.
- Preço do ativo base
- Preço de exercício
- O tempo
- Taxa de Juros - CDI
- Volatilidade
- Dividendos
Preço do Ativo Base (spot)
Quando os preços dos ativos sobem o preço das opções também. Isso é a primeira coisa que você percebe. O preço da opção tem uma relação diretamente proporcional ao preço do ativo. Dentre as variáveis é a de maior relevância, pois afinal o preço de uma opção é a diferença entre o preço do ativo, o preço de exercício acrescidos de um ágio.
Preço de exercício (strike)
É o preço pelo qual o contrato foi firmado. Ao comprar laranjas do produtor eu assino um contrato de que ele irá me entregar 200 sacas de laranja a R$10 a saca. Ou seja, o preço de exercício deste contrato futuro é R$10.
No caso das opções quanto menor for o preço de exercício maior será o preço da opção. Então podemos dizer que o preço de exercício tem uma relação inversamente proporcional ao preço do ativo base.
Digamos que a Vale esteja R$50. A VALEB60 terá o preço muito menor do que a VALEB40 por exemplo.
Tempo
É aqui que a porca torce o rabo e muitos iniciantes perdem dinheiro. Pois ao entrar no mercado de opções sabemos que elas tem um tempo de vida, mas desconhecemos o poder corrosivo do tempo no preço de uma opção e só vamos sacar isso em nossas primeiras perdas.
Uma opção que hoje está R$3 daqui a 10 dias estará valendo bem menos que isso, mantidas as outras variáveis é claro.
O fator tempo contribui e muito para os preços. Quanto mais próximo do vencimento, menos ágio as pessoas colocarão junto ao preço da opção já que quanto menor for a quantidade de dias maior será a certeza do investidor do preço base do ativo.
Taxa de juros - CDI
Eu não saberia explicar exatamente a influencia dos juros no preço das opções, para mim bastou entender que quanto maior a taxa de juros maior é o preço das opções. Contudo devo ressaltar que quanto maior é a taxa de juros menor é o fluxo de dinheiro nas bolsas, logo o preço do ativo tende a cair o que reflete negativamente no preço das opções.
Este é o grande ponto de discussão entre os teóricos. Mas o fato é que hoje a taxa de juros no Brasil é estável, logo, de pouca influência na precificação das opções.
Volatilidade
É a tentativa matemática de medir a incerteza do mercado. Quão maior ela for, mais rápido é o movimento de preços das opções. Para cima ou para baixo.
A volatilidade é sempre anualizada e mostrada em um valor percentual que gira em torno dos 20% a 40%. Em cenários de eufiria ou pânico a volatilidade sofre mudanças bruscas e foge dessa linha de calmaria e certeza.
Dividendos
Você já deve ter visto que assim que há a distribuição de dividendos o preço de exercício da opção sofre correção tirando-se dele o valor dos dividendos. Por exemplo digamos que a Petrobrás vá distribuir R$0,50 em dividendos a PETRB36 agora passará a ter strike de R$35,50 e não mais R$36.
Se o strike diminuiu a opção fica mais cara, lembra? Quanto menor é o strike maior é o preço da opção, contudo, a ação objeto também sofre desvalorização já que ao tirar X milhões do caixa para distribuir entre os acionistas o patrimônio da empresa diminuiu X milhões o que faz o preço do ativo base cair também. Isso acontece porque cada ação é a representação fracionada do patrimônio da empresa.
Então é trocar seis por meia dúzia, pois se o preço do ativo cai o preço da opção também e se o strike cai o preço da opção sobe. No final um fator anula o outro. Os dividendos ficaram na realidade na mão de quem detém a opção, não diretamente, pois os dividendos serão depositados na conta de quem tem a ação, mas indiretamente eles ficarão na mão de quem detém o direito sobre a compra. Mas não se importe com isso pois é filosofia de café da bolsa. Não enrole sua cabeça tentando entender isso agora.
As gregas
Delta, Gama, Theta, Vega e Ro. São os nomes que ganham a tentativa matemática de equacionar as variáveis acima.
O Delta nos diz o quanto uma opção irá valorizar a cada R$1 que o ativo suba. Exemplo: a PETRB36 está com delta 0,5 ( ou 50% ou 50) a PETR4 subindo R$1 faz com que a PETRB36 suba R$0,50.
O Gama é a curva do delta, ou seja, o quanto o delta irá se valorizar/desvalorizar a medida que o ativo for subindo R$1. Pois a cada R$1 que o ativo sobe o delta é diferente.
O Theta nos diz o quanto uma opção irá desvalorizar a cada dia que passa. Este valor se modifica dia a dia pois depende de alguns fatores. Digamos que o theta seja -0,04, isso indica que a cada dia que passe a opção perderá R$0,04 caso nenhuma das outras variáveis se altere.
O Vega nos diz qual será o impacto a cada 1% de mudança na volatilidade do ativo base. Por exemplo se o vega é 0,16 (16% ou simplesmente 16) indica que a cada 1% de mudança da volatilidade a opção irá perder/ganhar R$0,16.
O Ro diz a mudança de preço no caso de mudança na taxa de juros, mas como agora a nossa é estável, nem precisamos nos aprofundar muito aqui, afinal ela segue a mesma teoria das outras.