Análise Técnica - Figuras
Os investidores tendem a reagir da mesma maneira em determinadas circunstâncias, e ao longo do tempo estes comportamentos repetitivos foram sendo identificados através da análise técnica, criando com isso uma série de figuras, ou padrões de comportamento.
Triângulos: são classificados como padrões de continuação de tendência, eles se formam quando a flutuação dos preços começa a atingir amplitudes cada vez menores conforme o tempo passa.
Existem três tipos básicos de triângulos: ascendentes,
descendentes e simétricos.
No começo de sua formação o triângulo está em seu ponto mais
largo, a medida que o tempo passa os preços passam a oscilar
entre duas linhas: a inferior de suporte e a superior de
resistência. Não existe verdade absoluta, mas a tendência é a
continuação do movimento atual após o rompimento, em especial no
que se refere a triângulos ascendentes e descendentes.
Triângulo Ascendente - possui o lado superior horizontal
e o inferior como uma linha ascendente. O rompimento normalmente
indica a continuação da tendência. Uma das técnicas para
utilizar o triângulo ascendente como instrumento de operação é
aguardar pelo rompimento da linha horizontal com alto volume,
nessa situação os analistas esperam por uma alta de pelo menos a
altura do lado mais largo do triângulo.

Triângulo Descendente - é o inverso, tende a ser um sinal
de queda. A linha horizontal fica na parte inferior enquanto que
uma linha de tendência inclinada para baixo se forma. Como no
caso ascendente, espera-se que os preços percorram uma distância
equivalente ao tamanho do lado mais largo da formação.

Triângulo Simétrico - os preços máximos e mínimos das
flutuações atingem amplitudes cada vez menores. É uma formação
típica de indecisão e a sua tendência está mais relacionada com
a continuação da tendência corrente do que com reversão.

Outras Características dos Triângulos
Durante a formação do padrão os triângulos, geralmente, apresentam diminuição constante do volume, havendo um aumento significativo apenas na região de corte (rompimento), o que é um sinal bastante importante.
No que diz respeito a duração do padrão, em um nível diário, o triângulo demora algo em torno de 3 ou 4 semanas para se formar e raramente mais do que 90 dias. Entretanto, sempre é bom ressaltar que essa é uma expectativa e não a ação que o mercado vai efetivamente tomar.
O triângulo é um padrão de continuação de tendência, mas é importante lembrar que não necessariamente um triângulo simétrico ou ascendente vai romper para cima e um descendente para baixo. O rompimento pode ser para qualquer direção, o mais importante é saber se posicionar de acordo com o movimento posterior.
Retângulo: é uma figura de indefinição de
tendência. As cotações tendem a oscilar entre uma máxima e mínima dentro de uma
amplitude constante. Dependendo de sua altura, costuma ocorrer em situações onde
o ativo apresenta baixa volatilidade e o seu rompimento pode se dar para
qualquer lado.

Bandeiras e Flâmulas: são padrões muito
úteis de continuação de tendência e possuem características semelhantes
1 - Um movimento mais forte e objetivo inicial .
2 - A correção do movimento.
3 - Uma retomada do movimento na direção original.
São formações, em geral, de curta duração (1 a 3 semanas) que surgem com mais frequência em fases de subidas ou de quedas mais bruscas. O volume durante a formação tende a se reduzir, aumentando novamente no ponto de corte.
A diferença fundamental entre uma bandeira e uma flâmula é o formato do padrão corretivo da formação. Observe nas figuras abaixo que a bandeira é semelhante a um retângulo (podendo ter inclinação), enquanto que a flâmula é uma bandeira pontiaguda, lembrando bastante um triângulo.

Como técnica de cálculo de alvo dos preços utilizamos o tamanho do movimento inicial até o início do padrão corretivo (primeira linha vermelha nas figuras acima).
Então, quando acontece o rompimento (geralmente com aumento de volume conforme dito anteriormente) projetamos essa mesma distância a partir da linha base da bandeira ou flâmula (dando origem a segunda linha vermelha). Alguns analistas acreditam que a projeção pode ser feita do ponto mais alto da bandeira ou flâmula, entretanto, teriamos um alvo otimista nesse caso.
Abaixo vemos um exemplo de bandeira na Telemar (TNLP4). Observe que conforme mencionado, o retângulo que forma o padrão corretivo da bandeira pode ser inclinado.

Cunhas: são formações gráficas, em que as flutuações dos preços ficam contidas entre duas linhas convergentes, mas que se diferenciam dos triângulos por serem ambas, simultaneamente, inclinadas para cima ou para baixo. O padrão do volume é similar aos dos triângulos e retângulos, diminuindo substancialmente durante seu desdobramento. Seu tempo de formação e resolução é similar ao dos triângulos, de um a três meses, mas pode demorar mais.
Como pode observar na figura abaixo, suas definições têm o sentido oposto às suas designações, isto é, uma cunha descendente é altista e uma cunha ascendente é baixista.

Ombro-Cabeça-Ombro (OCO).
Esta figura é uma das mais conhecidas do mercado, ela é
classificada com uma figura de reversão. Um OCO (ombro cabeça
ombro) não precisa ser perfeito, ou seja, mais uma certa
simetria tem que existir para ser considerado uma figura.
Toda figura precisa ser confirmada, e o movimento de confirmação
do OCO é o rompimento da linha de pescoço (a
linha que é traçada entre os fundos dos ombros).
O mercado forma um primeiro ombro e retorna a linha base que
será chamada de linha de pescoço. Desse ponto, uma alta acontece
superando o topo anterior e formando a cabeça, até esse momento
o mercado sugere a continuação da alta. Os preços, a partir da
cabeça, retornam uma vez mais até a linha de pescoço e voltam a
subir, dando origem ao segundo ombro com tamanho muito
semelhante ao primeiro. Está formado o OCO.

O volume costuma decrescer conforme o padrão
vai sendo construído, elevando-se rapidamente no corte
da linha de pescoço.
O ombro cabeça ombro também pode ser encontrado em fundos ,
revertendo a tendência de baixa para uma de alta. Neste caso
costumamos chamar o OCO de OCOI, ombro cabeça ombro invertido
conforme ilustrado abaixo
.
Uma das características mais interessantes do padrão cabeça e
ombros é o alvo de preços que a formação sugere. Mede-se a
altura da cabeça até a linha de pescoço e projeta-se essa mesma
altura a partir da linha de pescoço na direção de rompimento. As
linhas vermelhas nas figuras abaixo sugerem até onde os preços
atinjam.

GAPS: são espaços deixados no gráfico de barras onde não ocorreu qualquer negócio.

- Um gap em alta é formado quando o preço mais baixo de um dia de negociação for superior ao máximo do dia anterior.
- Um gap em baixa é formado quando o preço mais alto do dia for inferior ao preço mais baixo do dia anterior. Um gap em alta é habitualmente um sinal de força do mercado, enquanto um gap em baixa é um sinal de fraqueza do mercado.
- Um gap de ruptura é um espaço de preços que se forma no final de um padrão importante de preços. Assinala habitualmente o início de um importante movimento do preço.
- Um gap de fuga é um espaço de preços que ocorre a meio de uma importante tendência de preços. Por essa razão, é também chamado um gap de avaliação.
- Um gap de exaustão é um espaço de preços que ocorre no final de uma tendência importante e assinala que a tendência está a terminar.
Topos e Fundos Duplos e Triplos: a construção de um topo duplo se inicia quando, após uma subida, acompanhada de alto volume, o mercado se retrai com diminuição do volume, e, então, volta a subir outra vez até atingir o nível do topo anterior (algumas vezes um pouco aquém e, outras, um pouco além), novamente com volume crescente, porém sem registrar as mesmas marcas verificadas durante a construção do primeiro topo e, então, volta a cair uma segunda vez, com conseqüências bem mais significativas (figura abaixo). Um fundo duplo é o inverso. Já os topos e fundos triplos são análogos aos duplos, quanto ao comportamento.

Como se pode observar na figura acima, uma vez formados topos
(fundos) duplos, a confirmação do rompimento da linha que passa
por V tende a fazer com que a cotação caia (suba) no caso dos
topos (fundos) o mesmo que subiu (caiu) até o topo (fundo) a
partir de V.
A confirmação do topo duplo sugere um ponto de venda, e a do
fundo duplo, um ponto de compra.