Bolsa de valores - origem e definição
Bolsa de valores
A Companhia Holandesa das Índias Orientais instituiu e comercializou as
primeiras ações a serem colocadas em um estabelecimento financeiro, criando a
primeira bolsa de valores, localizada em Amsterdã, em 1602.
Tradicionalmente os negócios aconteciam fisicamente no próprio recinto da bolsa
: pregão viva-voz. Porém atualmente as transações são cada vez mais realizadas
por meios eletrônicos em tempo real, onde são colocadas as ordens pelos
compradores e vendedores :pregão eletrônico.
Os movimentos dos preços no mercado ou em uma seção do mercado são capturados
através de índices chamados Índice de Bolsa de Valores.
As Bolsas de valores são associações civis, sem fins lucrativos. Seu patrimônio é representado por títulos que pertencem às sociedades corretoras membros. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, mas estão sujeitas à supervisão da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.
A bolsa de valores é um local onde se negociam ações de empresas de capital aberto (públicas ou privadas) e outros instrumentos financeiros como opções e debêntures .
BOVESPA
Fundada em 23 de agosto de 1890, a bolsa de valores de São Paulo - BOVESPA tem uma longa história de serviços prestados ao mercado de capitais e a economia brasileira. Até meados da década de 60, a BOVESPA e as demais bolsas brasileiras eram entidades oficiais corporativas, vinculadas as secretarias de finanças dos governos estaduais e compostas por corretores nomeados pelo poder publico.
Seus objetivos e atividades, entre outras, são:
1. manter local adequado à realização, entre corretores, de transações de compra
e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre, organizado e
fiscalizado pelos próprios membros, pela autoridade monetária e pela CVM;
2. estabelecer sistema de negociação que propicie e assegure a continuidade das
cotações e a plena liquidez do mercado;
3. dar ampla e rápida divulgação às operações efetuadas em seu pregão;
4. assegurar aos investidores completa garantia pelos títulos e valores
negociados;
É importante que você saiba que as bolsas de valores mantêm um fundo de garantia
com a finalidade exclusiva de assegurar o ressarcimento de prejuízos ocorridos
aos clientes de sociedades corretoras, em função de má execução de ordem, falha
operacional na liquidação de operações e na administração da custódia, entre
outros.
Mercados da BOVESPA
Os mercados disponíveis na BOVESPA são:
- a vista;
- a termo;
- de opções;
Mercado a
Vista
No qual a liquidação física (entrega de títulos
vendidos) se processa no 3º dia útil após a
realização do negócio em bolsa e a liquidação
financeira (pagamento e recebimento do valor da
operação) se dá no 3º dia útil posterior à
negociação, e somente mediante a efetiva
liquidação física. A liquidação física e
financeira é processada pela Companhia
Brasileira de Liquidação e Custódia - CBLC.
Mercado a
Termo
Operações com prazos de liquidação
diferidos, em geral, de trinta, sessenta ou
noventa dias. Para aplicações no mercado a termo
são requeridos, além do registro na CLB, um
limite mínimo para transação e depósito de
valores na CBLC – tanto pelo vendedor como pelo
comprador - , utilizando como margem de garantia
da operação. O contrato a termo pode, ainda, ser
liquidado antes de seu vencimento.
Mercado
de Opções
A opção proporciona ao investidor que a adquire
- mediante o pagamento de um de um prêmio em
dinheiro - o direito de comprar ou vender um
lote de ações a outro investidor, com preço e
prazo de exercício preestabelecido
contratualmente. O comprador da opção de compra,
até a data do vencimento, poderá exercê-la
comprando o lote de ações ou revendendo a opção
no mercado. O comprador da opção de venda, por
sua vez, somente poderá exercê-la na data do
vencimento da opção, quando então poderá vender
as ações- objeto da opção ao lançador.
Entretanto, tanto o titular como o lançador
sempre poderão negociar suas opções no mercado a
qualquer tempo, até a data do vencimento. O
lançador de uma opção de compra poderá cobrir
(depositar na CBLC os ativos objeto da operação)
ou margear sua posição. O lançador de uma opção
de venda deverá margear sua posição por meio do
depósito de valores na CBLC.
Risco do Titular (Comprador) da Opção de Compra
O risco do titular de uma opção está limitado ao valor pago pelas opções (o prêmio). No entanto, é necessário que o investidor esteja consciente de que ele poderá perder até a totalidade de seu investimento, se o comportamento do preço a vista, após a aquisição das opções e até o seu vencimento, não for favorável à sua posição (as opções são válidas apenas por determinado período, ao final do qual expiram). Explicando melhor, no caso das opções de compra, se o titular permanecer de posse da opção até o vencimento e, nessa data, o preço a vista da ação estiver abaixo do preço de exercício, ele não a exercerá (não seria vantajoso comprar as ações por um preço maior do que o do mercado), nem tampouco conseguirá transferi-la para outro investidor. No jargão do mercado, a opção terá “virado pó” e o investidor terá perdido integralmente a quantia que gastou para adquiri-la.
Opções de Compra que “Viram Pó”
Se no vencimento das opções de compra o preço a vista do papel for inferior ao seu preço de exercício, não será vantajoso para o investidor que a possui (o titular) exercê-la. Como as opções expiram (perdem sua validade) na data de vencimento, elas também não terão qualquer valor de negociação, pois não existirão investidores interessados em comprá-las. No jargão de mercado, terão “virado pó”. Para o titular das opções de compra nessa condição, isso significa que ele perdeu integralmente o investimento que fez para adquiri-las (o prêmio pago).
Risco na Venda
Descoberto
(Lançamento de Opções de Compra)
O lançamento de opções de compra a descoberto,
ou seja, o recebimento de uma quantia em
dinheiro (o prêmio) para assumir o compromisso
de vender ações, que o investidor não possui, é
uma estratégia que envolve um elevado grau de
risco. Explicando melhor, o titular dessa opção
(o investidor que pagou o prêmio para o lançador
assumir o compromisso) somente vai exercê-la se
isso for interessante para ele, ou seja, se o
preço a vista do papel for superior ao preço de
exercício da opção. Para o lançador, isso
significa que ele será obrigado a adquirir as
ações no mercado a vista para entregá-las pelo
preço de exercício. A partir do momento em que a
diferença entre o preço a vista e o de exercício
for maior que o prêmio recebido, o lançador
estará incorrendo em prejuízo, que aumentará de
acordo com a valorização da cotação a vista.
Outro aspecto a ser considerado nessa estratégia
é que, durante toda a vigência de sua posição, o
lançador descoberto estará obrigado a depositar
garantias para cobrir os prejuízos potenciais da
operação, cujo valor é calculado diariamente.
Prazo de Expiração das Opções
É importante que
o investidor que adquiriu uma opção (o titular)
esteja consciente de que seu direito de
exercê-la é valido apenas durante seu período de
vigência. Após a data de vencimento, a opção
expira, perdendo totalmente sua validade. Outro
ponto importante a destacar é que na BOVESPA o
exercício da opção não é automático, ele deve
ser solicitado pelo titular da opção.Isso
significa que, mesmo nos casos em que o
exercício é claramente vantajoso para o titular,
ele somente ocorrerá se for comandado pela
Corretora, atendendo a instruções recebidas do
titular. O pedido de exercício pode ser
transmitido pelo investidor à Corretora através
de “e-mail”, telefone, fax ou outro meio
previamente acertado entre ambos. Na hipótese de
um titular, nessas condições, deixar de
solicitar o exercício, a opção vai expirar e o
investidor, além de não ter se aproveitado de
uma situação vantajosa, ainda perderá
integralmente o prêmio pago quando da aquisição
das opções.
História da BM&F
Empresários paulistas ligados à exportação, ao comércio e à agricultura criaram, em 26 de outubro de 1917, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo, a BMSP. Primeira no Brasil a introduzir operações a termo, ela alcançou, ao longo dos anos, rica tradição na negociação de contratos agropecuários, particularmente café, boi gordo e algodão.
Em julho de 1985, surge a Bolsa Mercantil & de Futuros, a BM&F. Seus pregões começam a funcionar em 31 de janeiro de 1986. Em pouco tempo, ela conquista posição invejável entre as principais commodities exchanges do mundo, negociando contratos futuros, de opções, a termo e a vista, referenciados em índices de ações, ouro, taxas de juros e taxas de câmbio.
Em 9 de maio de 1991,
BM&F e BMSP resolvem fundir suas atividades, aliando a
tradição de uma ao dinamismo da outra. Surge então a
Bolsa de Mercadorias & Futuros - também com a sigla BM&F
- cujo objetivo é desenvolver mercados futuros de ativos
financeiros, agropecuários e outros.
Em 2007, a BM&F iniciou seu processo de desmutualização
e, a partir de 1º de outubro de 2007, a BM&F se tornou
uma sociedade por ações com fins lucrativos. Por meio da
desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos
associados da Companhia foram desvinculados dos Direitos
de Acesso, e convertidos em participações acionárias.
Em maio de 2008, a BM&F e a BOVESPA integraram-se,
formando, assim, a BM&FBOVESPA S/A.
Sociedades Corretoras
As sociedades corretoras são instituições financeiras membros das bolsas de valores, devidamente credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela CVM e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas a negociar valores mobiliários em pregão. As corretoras podem ser definidas como intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por seus clientes, além da prestação de uma série de serviços a investidores e empresas, tais como:
- diretrizes para seleção de investimentos;
- intermediação de operações de câmbio;
- assessoria a empresas na abertura de capital, emissão de debêntures e debêntures conversíveis em ações, renovação do registro de capital etc.
As sociedades corretoras contribuem para um fundo de garantia, mantido pelas bolsas de valores, com o propósito de assegurar a seus clientes eventual reposição de títulos e valores negociados em pregão, e atender a outros casos previstos pela legislação.
As sociedades corretores são fiscalizadas pelas bolsas de valores, representando a certeza de uma boa orientação e da melhor execução dos negócios de seus investidores.
A razão principal da existência da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA, assim como de todas as demais bolsas de valores .organizadas, pode ser expressa em sua essência por um simples termo:
Liquidez
Financeiramente um título mobiliário tem liquidez quando pode ser comprado ou vendido, em questão de minutos, a um preço justo de mercado, determinado pelo exercício natural das leis de oferta e demanda.
Para tanto, a BOVESPA oferece os mais variados mecanismos de negociação de títulos e valores mobiliários de empresas criteriosamente selecionadas, um sofisticado sistema de teleprocessamento para difusão de informações, exercendo, em defesa do interesse público, um rigoroso acompanhamento de todos os aspectos envolvidos nas transações, o que assegura elevados padrões éticos ao cumprimento de negócios realizados. A liquidação das operações é realizada pela CBLC.